De quando em quando
Em tempos homéricos
Em áureas de luas Outubrais:
Antigos dicionários e o
The New York Times
Borbulham em caldeirões
rotulados
E alimentam misantropias
difusas
De velhos, sonhadores, profetas...
Auspiciam poetas sanatoriais
Nos seus tardios padeceres.
Enquanto heróis morrem antes
de nascer
Cremados em segundas
matinais.
De quando em quando
Em revoluções órfãs de
séculos hostis
Em estações de ócios
gloriosos:
Cabos e tornos de cobre se misturam
Entre belos macarrões
industriais
Servidos em buffets
ocidentais.
Surgem novos monges,
Das mudanças radicais? Quem
sabe?
Será que sabem o que meu
desejo deseja?
O banquete está servido:
Ao despertador, a máscara do algoz.
Ao operário, tolerância e horário,
E ao vencedor, as batatas.
...e mais um filho da
modernidade
Acordando de olhos fechados.
De quando em quando
Em infernos solares de luas
malditas
Em arenas de danças tribais
Sobre dores de agonias
fatais:
Vícios estafantes hipotecam a
sensatez
E um lance em meu peito
arremata meu corpo
Em leilões de sentimentos a
prêmio
Um raro coração, liquefeito,
na terra dos carnavais.
Não há angústia, nem paz; nem
céu, nem inferno,
Entorpecentes me levam a uma
realidade ufana,
E só conseguimos ver lágrimas
nos olhos dos lobos.
De quando em quando
Em passeios apressados a
lugar nenhum,
Atalhos são feitos sem
precisão alguma,
E vejo um buraco no aquário:
- O que são estes pedaços velhos de papel molhado?
- E por que este buraco? E tão pequeno? Ta tão escuro!
- O que há do outro lado?
- Onde estão os peixes?
- Quem serviu minha comida?
- Quem me colocou aqui?
- Quem sou eu?
Washington Luiz da Silva Santos





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