quinta-feira, 26 de abril de 2012

DIAS DE SOL, DIAS DE CHUVA


Saio cedo, com o espírito atônito.
Pra receber luz...  somente luz!
Como quem vem da alcova
Dar seu ultimo grito
E emitir as boas-novas
Galhardeando resistência
Insensível à carne trêmula
Que os fartos anos me jazem.

Contra quem travamos nossas batalhas?
Para quê nós nos saímos vencedores? E daí?
Foi inútil chegar em primeiro!
Derrotamos... a quem? Quando?
Pouco importa!
A ideologia da vitória,
O “sucesso” na vida esvaecem,
Os nossos mitos, os nossos sonhos, a nossa ótica,
E um grito de glória, rouco e distorcido,
Chamusca agora um retrato de uma infância
Que resiste a seu próprio fim.

E a Natureza que então
Por sede de justiça, ou por vontade própria;
Paira em nós a chuva,
Que encharcam as cinzas
Do que um dia foi matéria-viva,
E elemento-abstrato de outra época.
Umedece o coração do ser
Que um dia viveu em solo úmido
Tocando os céus com as mãos
Mas com os pés firmes no chão.
Sentindo a luz maior que o Sol
A imensidão de si maior que o mar
E ver que a melhor forma de ver
É pensar em “como ver”
como ter (e deixar de ter)
mantendo o caminho aberto
pra conquistar as coisas que
em dias de sol, em dias de chuva
não nos prometemos mais.



Washington Luiz da Silva Santos







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