sábado, 2 de junho de 2012

NO AQUÁRIO COM AS VESPAS ENQUANTO OS PEIXES VOAM


De quando em quando
Em tempos homéricos
Em áureas de luas Outubrais:
Antigos dicionários e o
The New York Times
Borbulham em caldeirões rotulados
E alimentam misantropias difusas
De velhos, sonhadores, profetas...
Auspiciam poetas sanatoriais
Nos seus tardios padeceres.
Enquanto heróis morrem antes de nascer
Cremados em segundas matinais.

De quando em quando
Em revoluções órfãs de séculos hostis
Em estações de ócios gloriosos:
Cabos e tornos de cobre se misturam
Entre belos macarrões industriais
Servidos em buffets ocidentais.
Surgem novos monges,
Das mudanças radicais? Quem sabe?
Será que sabem o que meu desejo deseja?
O banquete está servido:
Ao despertador, a máscara do algoz.
Ao operário, tolerância e horário,
E ao vencedor, as batatas.
...e mais um filho da modernidade
Acordando de olhos fechados.

De quando em quando
Em infernos solares de luas malditas
Em arenas de danças tribais
Sobre dores de agonias fatais:
Vícios estafantes hipotecam a sensatez
E um lance em meu peito arremata meu corpo
Em leilões de sentimentos a prêmio
Um raro coração, liquefeito, na terra dos carnavais.
Não há angústia, nem paz; nem céu, nem inferno,
Entorpecentes me levam a uma realidade ufana,
E só conseguimos ver lágrimas nos olhos dos lobos.

De quando em quando
Em passeios apressados a lugar nenhum,
Atalhos são feitos sem precisão alguma,
E vejo um buraco no aquário:
- O que são estes pedaços velhos de papel molhado?
- E por que este buraco? E tão pequeno? Ta tão escuro!
- O que há do outro lado?
- Onde estão os peixes?
- Quem serviu minha comida? 
- Quem me colocou aqui?
- Quem sou eu?


Washington Luiz da Silva Santos