sexta-feira, 27 de abril de 2012

FRUSTRO A TARDE QUE CHEGA



Frustro a tarde que chega
E suas desavenças de calor excedente
Filha destes raios pastoreios,
Boiadeiros dos que buscam seu lugar
Ao sol,
No rol,
Ao céu
Ou ao léu,
Bandoleiros na noite clandestina
Mumificados na triste avenida.
 
Frustro a tarde que chega,
Quando assisto a queda do sol
E quando furto uma estrela noturna.
 
Frustro a tarde que chega,
Ao meio-dia, minha carne é fria;
E quando a dor é inquilina.
 
Sai a tarde...
Sombras lutam esmagando os sóis,
E magnetizo-me nos anéis da noite,
Envolvendo-me em teus dedos
E em tua nua pele escura.

Vago no frio da rua,
E um calor me causa desatino:
Lembranças de um amor latente
Devoram o peito num vapor desumano.
 
E no mesmo passo do fluxo
Em que estrelas conspiram contra a Via Láctea,
Manifesto-me contra o sol
Mas em prol do calor,
Em toda benevolência;
E me incendiar na aurora das tardes,
Gozando de toda dor, amor e rebento;
Humano ou desumano.
Mesmo não encontrando alento,
Nos amores que frustrei,
Nos amores que mereci,
Nestas tardes
Frustradas pelo meu querer.
 
 
Washington Luiz da Silva Santos

Um comentário:

  1. Me fez lembrar dos fins de tarde nos bares da UFPI: de fato, a tarde deste poema, e de Teresina, aquece o coração dos homens em todos os momentos em todos os lugares, extraindo tudo quanto é sentimento . Belo poema!

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