Ontem, lembrei-me de lembrar do futuro!
Na melhor idade eu
desfraldava
Com empáfias o corpo saliente
Às aventuras infantis sobre
essa terra
Molhada pelas estações
Ignorada pelo esmero
positivista
Ababelando uma série de
proezas
Em vôos rasantes e
inalcançáveis
Sobre este céu que se vê tão
perto
Tão perto
Tão perto
Que nem parece o céu!
Ontem, lembrei-me de lembrar
do futuro!
Enquanto ouvia os barulhos
Que vinham dos confins da
China:
Tung! Tung! Tung!
Numa linda onomatopéia
vermelha
A mesma que batia nos sangues
Dos filhos de Vishnu e
Ghandi,
E nos “papas” do rock and
roll.
Mas fiquei quieto!
E deixei os meninos amarem,
Seu tempo presente e seu
espírito matreiro,
Era o que eles tinham
Era o que eu tinha também!
Ontem, lembrei-me de lembrar
do futuro!
Mas já badalavam os sinos
Tortuosos e Uníssonos
É hora de trabalhar
Sobreviver
De seguir a dura e velha
ditadura do tempo
E percorrer a beleza
hedonistica
Que o próprio puto-tempo
criou.
Que faço desta hora? Desse
dia?
Deste prazo? Deste fado?
Mas, veja o que nós nos
tornamos!
Figuras de uma enorme pintura
Juntas de outras figuras
(sinos, máquinas, castelos e
dragões)
Criada pelos rivais de
Sans-cullotes.
O que fazer então?
Ontem, lembrei-me de lembrar
do futuro!
Para que amanhã, eu não
esqueça,
De poder lembrar-me do
passado
Na consciência do meu próprio
presente.
Washington
Luiz da Silva Santos

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