quarta-feira, 25 de abril de 2012

ENTRE OS MEUS ANJOS E DRAGÕES MECENAS



Ontem, lembrei-me de lembrar do futuro!  

Na melhor idade eu desfraldava
Com empáfias o corpo saliente
Às aventuras infantis sobre essa terra
Molhada pelas estações
Ignorada pelo esmero positivista
Ababelando uma série de proezas
Em vôos rasantes e inalcançáveis
Sobre este céu que se vê tão perto
Tão perto
Tão perto
Que nem parece o céu! 

Ontem, lembrei-me de lembrar do futuro!

Eu acariciava o rosto de Lênin
Enquanto ouvia os barulhos
Que vinham dos confins da China:
Tung! Tung! Tung!
Numa linda onomatopéia vermelha
A mesma que batia nos sangues
Dos filhos de Vishnu e Ghandi,
E nos “papas” do rock and roll.
Mas fiquei quieto!
E deixei os meninos amarem,
Seu tempo presente e seu espírito matreiro,
Era o que eles tinham
Era o que eu tinha também! 

Ontem, lembrei-me de lembrar do futuro!

Mas já badalavam os sinos
Tortuosos e Uníssonos
É hora de trabalhar
Sobreviver
De seguir a dura e velha ditadura do tempo
E percorrer a beleza hedonistica
Que o próprio puto-tempo criou.
Que faço desta hora? Desse dia?
Deste prazo? Deste fado?
Mas, veja o que nós nos tornamos!
Figuras de uma enorme pintura
Juntas de outras figuras
(sinos, máquinas, castelos e dragões)
Criada pelos rivais de Sans-cullotes.
O que fazer então? 

Ontem, lembrei-me de lembrar do futuro!

Para que amanhã, eu não esqueça,
De poder lembrar-me do passado
Na consciência do meu próprio presente.


Washington Luiz da Silva Santos

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